Quando Aldous Huxley escreveu o livro "Admirável Mundo Novo" certamente não tinha tanta certeza do futuro e como as pessoas o receberiam. Algum tempo atrás (já tem um tempinho...) quando li, era apenas um livro de ficção e na minha inocência não acreditava ser possível tantas "maluquices". Na época, gostei mais do livro sobre um índio, um cara e suas experiências alucinógenas... maconha era um "papo cabeça" e encantava as pessoas desejosas em sair da mesmice. Pois bem, sempre que um fato novo, uma notícia científica era divulgada lembrava-me do Admirável Mundo Novo...
Aqui estou, depois de um bom tempo e o livro continua fazendo parte das minhas indagações e dúvidas quanto ao futuro. Tenho discutido muito com as pessoas amigas, com quem converso e coloco minhas questões. Todos (não é exagero, é verdade - todos) consideram-me maluca ou então depressiva e até outros adjetivos mais, pela única razão de defender a vida por um tempo determinado. Não comungo com as pessoas de que viver até os 100 ou 150 anos é uma boa. Não penso assim. Não vou me matar, não quero me matar e tenho tentado cuidar de mim dentro das minhas possibilidades. Porém, não vejo com bons olhos perpetuar-me . Sinto a ação do tempo. Por mais que deseje fazer determinadas coisas não consigo mais (isto me faz lembrar do meu ex. Diz ele que sua mãe, minha sogra, achava ruim a cabeça querer uma coisa e o corpo não conseguir executar) hoje, entendo e concordo veemente com a posição dela. A máquina humana, como todas as outras coisas no mundo, possui tempo de válidade. Ficar prolongando esse tempo, para mim, é prolongar expectativas que não acontecerão. Isto é errado? Não creio.
Neste domingo, na Tv Bandeirantes, assistindo ao Programa Livre ouvia dois médicos dissertando sobre envelhecer com qualidade e fiquei me perguntando em que país eles moravam. O primeiro então, falava de substituições de partes do corpo com tanta simplicidade! Hoje, irei ao supermercado comprar um joelho, uma bacia, um coração...embora não tenha dito desta forma, claro. Entendo tudo que disse. Entendo que a medicina avançou o suficiente para repor peças danificadas do nosso corpo. Entendo que existem tratamentos extraordinários, mas qual é a parcela da população brasileira, quiçá mundial, que poderá usufruir das beneces médicas atuais e futuras? Entendo a necessidade da boa alimentação, do exercício físico e principalmente da paz de espírito necessários ao envelhecimento de qualidade. Só não compreendo como estabelecer isto como prioridade na vida das pessoas "normais" que precisam trabalhar para comer arroz, feijão e farinha? Neste mundo ideal dos médicos e terapeutas um número ínfimo de pessoas podem adotar tais comportamentos. Infelizmente, gostaria muito de pensar de outra forma. Precisamos acordar e lembrar que uma grande parte da nossa população não tem nem mesmo saneamento básico. No país ainda se morre com dengue, desnutrição e tantas outras causas inadimissíveis para esta admirável medicina moderna. A fome no mundo é absurda e um absurdo.
Quando vejo, principalmente a mídia, colocando o mundo mágico e maravilhoso da medicina e seus avanços relaciono aos programas de transformação que várias tv's abertas insistem em colocar. Pegam uma dona de casa, que não pode nem mesmo fazer a unha todas as semanas, cortam (um senhor corte...) o cabelo e pintam como se pudesse frequentar o salão todos os dias como fazem as celebridades, levam-na a uma loja para comprar roupas que jamais poderá comprar novamente (não estou depreciando a capacidade de ninguém, pelo amor de Deus!), compram sapatos de saltos altíssimos para essa pobre dona de casa,sendo que muitas das vezes nem asfalto na rua onde mora tem e... bem, por aí vai o desfile de transformações. Alguém voltou para ver como ficaram essas mulheres depois de quatro ou seis meses? Viram a realidade desta mulher? Gosto de ver também como a realidade definitivamente não faz parte do mundo ideal de alguns profissionais. E as reformas nas casas das pessoas??!!!! Já viram como ficam parecendo cenário de novelas??? Será que um desses arquitetos e decoradores se lembram de que naquela casa fritam bifes, cozinham normalmente, lavam e passam, crianças sobem e descem nas poltronas (quando tem - e nunca podem ser brancas - cor preferida deles, arquitetos e decoradores) ou seja, não comem nos restaurantes, não lavam suas roupas em lavanderias, não possuem salas de dois, três, quatro ambientes e quando recebem uma visita só tem um lugar para oferecer? O fundamento disto tudo tem um nome, sabemos. Contudo, não vou entrar nesse tema, pelo menos agora.
Minha preocupação está na propaganda da medicina e seus milagres. No desvio de foco que podem causar. Sei das necessidades das pesquisas, da informação. Particularmente, não acho nada agradável passar minha "velhice com qualidade" nas farmácias, nos consultórios e me privando de algumas coisas para conseguir pagar meu plano de saúde. Também sei que não usufruirei das articulações, dos transplantes e plásticas, pois, minha condição financeira não me permite. Assim sendo, como explicar para grande maioria que existe uma possibilidade mas que ela é pobre demais para merecê-la? ... bem vou ficar por aqui e volto no próximo para dar continuidade a estas interrogações... são muitas e preciso desabafar!!!
Aqui estou, depois de um bom tempo e o livro continua fazendo parte das minhas indagações e dúvidas quanto ao futuro. Tenho discutido muito com as pessoas amigas, com quem converso e coloco minhas questões. Todos (não é exagero, é verdade - todos) consideram-me maluca ou então depressiva e até outros adjetivos mais, pela única razão de defender a vida por um tempo determinado. Não comungo com as pessoas de que viver até os 100 ou 150 anos é uma boa. Não penso assim. Não vou me matar, não quero me matar e tenho tentado cuidar de mim dentro das minhas possibilidades. Porém, não vejo com bons olhos perpetuar-me . Sinto a ação do tempo. Por mais que deseje fazer determinadas coisas não consigo mais (isto me faz lembrar do meu ex. Diz ele que sua mãe, minha sogra, achava ruim a cabeça querer uma coisa e o corpo não conseguir executar) hoje, entendo e concordo veemente com a posição dela. A máquina humana, como todas as outras coisas no mundo, possui tempo de válidade. Ficar prolongando esse tempo, para mim, é prolongar expectativas que não acontecerão. Isto é errado? Não creio.
Neste domingo, na Tv Bandeirantes, assistindo ao Programa Livre ouvia dois médicos dissertando sobre envelhecer com qualidade e fiquei me perguntando em que país eles moravam. O primeiro então, falava de substituições de partes do corpo com tanta simplicidade! Hoje, irei ao supermercado comprar um joelho, uma bacia, um coração...embora não tenha dito desta forma, claro. Entendo tudo que disse. Entendo que a medicina avançou o suficiente para repor peças danificadas do nosso corpo. Entendo que existem tratamentos extraordinários, mas qual é a parcela da população brasileira, quiçá mundial, que poderá usufruir das beneces médicas atuais e futuras? Entendo a necessidade da boa alimentação, do exercício físico e principalmente da paz de espírito necessários ao envelhecimento de qualidade. Só não compreendo como estabelecer isto como prioridade na vida das pessoas "normais" que precisam trabalhar para comer arroz, feijão e farinha? Neste mundo ideal dos médicos e terapeutas um número ínfimo de pessoas podem adotar tais comportamentos. Infelizmente, gostaria muito de pensar de outra forma. Precisamos acordar e lembrar que uma grande parte da nossa população não tem nem mesmo saneamento básico. No país ainda se morre com dengue, desnutrição e tantas outras causas inadimissíveis para esta admirável medicina moderna. A fome no mundo é absurda e um absurdo.
Quando vejo, principalmente a mídia, colocando o mundo mágico e maravilhoso da medicina e seus avanços relaciono aos programas de transformação que várias tv's abertas insistem em colocar. Pegam uma dona de casa, que não pode nem mesmo fazer a unha todas as semanas, cortam (um senhor corte...) o cabelo e pintam como se pudesse frequentar o salão todos os dias como fazem as celebridades, levam-na a uma loja para comprar roupas que jamais poderá comprar novamente (não estou depreciando a capacidade de ninguém, pelo amor de Deus!), compram sapatos de saltos altíssimos para essa pobre dona de casa,sendo que muitas das vezes nem asfalto na rua onde mora tem e... bem, por aí vai o desfile de transformações. Alguém voltou para ver como ficaram essas mulheres depois de quatro ou seis meses? Viram a realidade desta mulher? Gosto de ver também como a realidade definitivamente não faz parte do mundo ideal de alguns profissionais. E as reformas nas casas das pessoas??!!!! Já viram como ficam parecendo cenário de novelas??? Será que um desses arquitetos e decoradores se lembram de que naquela casa fritam bifes, cozinham normalmente, lavam e passam, crianças sobem e descem nas poltronas (quando tem - e nunca podem ser brancas - cor preferida deles, arquitetos e decoradores) ou seja, não comem nos restaurantes, não lavam suas roupas em lavanderias, não possuem salas de dois, três, quatro ambientes e quando recebem uma visita só tem um lugar para oferecer? O fundamento disto tudo tem um nome, sabemos. Contudo, não vou entrar nesse tema, pelo menos agora.
Minha preocupação está na propaganda da medicina e seus milagres. No desvio de foco que podem causar. Sei das necessidades das pesquisas, da informação. Particularmente, não acho nada agradável passar minha "velhice com qualidade" nas farmácias, nos consultórios e me privando de algumas coisas para conseguir pagar meu plano de saúde. Também sei que não usufruirei das articulações, dos transplantes e plásticas, pois, minha condição financeira não me permite. Assim sendo, como explicar para grande maioria que existe uma possibilidade mas que ela é pobre demais para merecê-la? ... bem vou ficar por aqui e volto no próximo para dar continuidade a estas interrogações... são muitas e preciso desabafar!!!