Um dia de cada vez.
Assim, levo minha vida, tal qual um viciado que pretende parar com o vício. Meus dias são infinitos e vazios. Poucas surpresas, novidades, desafios e até mesmo chateações.
Segundo a profissional que me acompanha, estou em depressão. Disse: - grave. Depressão grave. Tenho genética para isso. A família toda tem problemas emocionais, psicológicos e até mesmo psiquiátricos. Portanto, esse diagnóstico não me assusta. O problema é: e agora? Como resolver? Os tratamentos existem, pessoa para ajudar também. O problema é querer, desejar de fato. Tirar forças de um lugar que está muito fraco, pedindo que desista. Sol, exercícios físicos, medicamentos, terapias, lazer... tudo parece tão difícil!
Comecei a fazer um curso de pintura online. Até gostei das primeiras aulas e sensações. Parece mais fácil pintar que escrever. Pelo menos foi o que senti. Gosto de escrever, mas com a saúde um caos, torna-se quase impossível escrever com nexo, beleza e sentimento. A pintura me pareceu mais solta, livre, sem regras ou erros. Será? Estou escrevendo abobrinhas? Só fiz 4 aulas e de certa forma coloco a pintura como insignificante? Não. Jamais serei um Picasso ou Renoir, entretanto, achei libertador. Foi como se eu estivesse dirigindo sem destino e me surpreendesse com um lugar lindo. Continuarei. Assim, pretendo. Vamos ver onde os pincéis, tintas e imaginação me levarão.
A depressão pode me paralisar, mas não deixarei que se instale para sempre. Tempo não me importo. O importante é a batalha e as vitórias cotidianas. Um dia de cada vez, assim como o AA prega. Hoje, estou satisfeita comigo mesma. Fiz alguma coisa que me agradou, me fez bem. E amanhã?
Calma, um dia de cada vez.