Como explicar um sentimento que brota do seu peito e você não sabe de onde vem e quando se vai???
Sentir saudade de uma situação que não aconteceu, que gostaria que acontecesse e na sua cabeça toma uma dimensão que não consegue mais controlar... Sentir saudade de algo que não viveu, mas que você consegue sentir o cheiro, o gosto e imaginar cenários, situações... sentir saudade de um toque que não sentiu, arrepiar-se com ele e desejá-lo cada vez mais... sentir saudade de um lugar que ainda não visitou, mas que a brisa e o perfume ficaram em sua memória... sentir saudade de um beijo que não aconteceu, mas que faz você fechar os olhos e lembrar dele como se tivesse acontecido ontem... sentir saudade do olhar que não foi trocado ou do amor que não foi correspondido... sentir saudade da palavra que não foi pronunciada, mas que ecoa como um sino fazendo parte, recente, das suas lembranças... sentir saudade de tudo que poderia ter sido e não foi. Como explicar este sentimento?
Saudade!! Sentimento sentido, doído e não compreendido. Ele rasga seu coração, consome suas energias, desespera, machuca.
Escritores e poetas já falaram sobre o tema, mas acredito que ainda não foi exaurido e muitos ainda falarão. Acredito que a intensidade deste sentimento é capaz de despertar outros tantos. Chico Buarque magnificamente descreve a saudade em sua música "Pedaço de Mim" e até então, ainda não havia encontrado nada tão forte e que me dizia tanto, quanto a letra desta música. Recentemente, lendo "A ausência que seremos", de Héctor Abad, encontrei outra forma de descrever este sentimento que não posso deixar de compartilhar: " A felicidade é feita de uma substância tão leve que facilmente se dissolve na memória, e quando volta à lembrança vem junto com um sentimento meloso que a contamina e que eu sempre refuguei, por inútil, enjoativo e, em última instância, prejudicial para viver o presente: a saudade."
Depois do que foi dito por Héctor Abad sobre a saudade, não há necessidade de se dizer mais nada. Até, quem sabe, bater uma saudade... não sei de quem, de quê ou de onde...
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