O olhar de desdém... ah, esse ninguém merece!! Quando percebo tenho vontade de chegar na pessoa e perguntar: fiz alguma coisa para me olhar assim? Mesmo sabendo que a pessoa não o olhou deliberadamente. Tem aquele que parece dizer: "Ei quem é você e o quê faz aqui", será porque existem pessoas que acreditam ser melhor que outras? Embora, confesso, dependendo da situação e da pessoa, passo uma olhada dessas, rsrs... Existe ainda o olhar furioso, o cansado, o desiludido, o desconfiado, e aquele que parece que a pessoa vai te engolir, não é mesmo? Assim, ela quer contar alguma coisa, mas ao invés de chamar e levar você para algum lugar onde pode dizer o desejado, não. Ela fica olhando e olhando... quase engole você e não diz o que é. E o olhar triste? Nossa! Esse dá vontade de ficar triste também, não é? Por vezes, melhor dizendo, sempre observo as pessoas que passam por mim. Sejam conhecidas ou não. Gosto de fazê-lo. Quando faço minha caminhada pela manhã, procuro reforçar esse hábito, pois acredito ser bastante útil observar quem nos cerca. E, nestas observações, encontro pessoas que logo pela manhã contam com os olhos suas infelicidades, angústias e tristezas. Tenho vontade de pedir a pessoa para desabafar e contar suas tristezas para vê-la melhor. Afinal, se você encontra uma pessoa logo cedo, com um olhar triste, certamente, ela precisa muito desabafar. Podemos falar ainda do olhar perdido. Perdido para quem vê, pois aquele que tem o olhar perdido, provavelmente encontrou alguma coisa em algum lugar, não é?
São tantas as maneiras de olhar e tantas são as interpretações que poderia ficar aqui, descrevendo e traduzindo formas de linguagem ditas com os olhos quase que eternamente. Minha filha afirma que tenho um olhar que mata. Claro que não é sempre. Ela diz que é tão profundo que mete medo!!! Bem, a intensidade não é proposital, creio que acontece quando já estou no limite.
Agora, não podemos mesmo é deixar de falar do olhar que consegue penetrar sua alma... que você sente como se fosse a única pessoa do universo. Aquela olhada que nada é preciso ser dito. Basta. Tira o folêgo, faz com que tudo tenha sentido no mundo e que você sinta tudo que existe no mundo. Creio que todos já estiveram diante desse olhar a que me refiro. Ele acontece de uma forma inesperada mas que tira você do centro. Ele acontece. Inesperadamente, quando percebe acaba gostando e você corresponde. Dá aquela olhadinha rápida, como se dissesse: "não, só estou olhando porque você me olhou..." e depois, disfarça, vira e com o "rabinho do olho" olha novamente. Esta brincadeira cria uma expectativa absurda! A aproximação é desejada, mas a troca de olhares é tão prazerosa que, esquecemos do mundo e continuamos naquele jogo interminável. E quando existe essa cumplicidade no olhar tudo já está definido. É preciso chegar perto. Confirmar. Traduzir o que os olhos adiantaram e simplesmente partilhar as emoções vividas naqueles instantes primeiros.
Afinal, se foi cantado e dito em versos por poetas e músicos, o olhar deve ter seu lugar de destaque na linguagem humana. Cultivemos essa expressão.
Para quem não conhece, essa música diz muito e para quem já conhece, vale relembrar!!!
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