quinta-feira, 29 de setembro de 2011

...de um povo heróico o brado retumbante...

É incrível como os brasileiros são apegados ao futebol (não me incluo nesta afirmação, pois não sou torcedora) e, especificamente, na seleção brasileira. O jogo desta quarta-feira - 28/09 mostrou o lado mais patriota e emocionante dos presentes, poucas vezes visto em nosso país. A manifestação de apreço, admiração e respeito pela pátria ao entoarem em uníssono o hino nacional trouxe a certeza de que unidos podemos mais.
Por que não nos unirmos assim contra a corrupção, os desmandos e a violência aos quais estamos submetidos diariamente? Por que em uma só voz não exigimos para  estes "homens públicos" que aí estão, a responsabilidade dos crimes que cometem contra a administração pública, contra nosso dinheiro e contra nossos direitos? Por que admitimos a complacência do judiciário, a morosidade das leis, ou melhor, do cumprimento delas? Por que aceitamos com tanta facilidade as desculpas que  esses homens públicos nos oferecem quando negligenciam os atendimentos mais básicos como saneamento, educação e saúde? Por que não cantamos em uma única voz nos movimentos que, começam a surgir contra a corrupção, contra os interesses escusos da grande maioria dos parlamentares que lotam as assembleias, palácios e congresso?
É contraditório assistir os inúmeros "replays" da torcida cantando entusiasticamente o hino e, em seguida, ouvir o repórter do mesmo jornal narrar a saga de um cidadão percorrendo hospitais sem atendimento a caminho do óbito. É contraditório ouvir os repórteres entusiasticamente elogiando o trabalho da equipe e, em seguida com a voz perfeitamente natural,  noticiar que bairros, prédios e cidadãos brasileiros podem explodir a qualquer momento, por causa do gás que vem do subsolo de aterros sanitários que foram menosprezados pelas construtoras e seus engenheiros sem o menor cuidado (apostando, claro, na impunidade e certeza de que nada aconteceria a eles) e, pior ainda, sabendo da besteira feita, continuam de braços cruzados. É contraditório ver a notícia de que o Presidente do STF pediu explicações a uma promotora por suas declarações sobre os juízes corruptos e, em seguida tomar conhecimento de que o TSE (órgão máximo no que diz respeito ao processo eleitoral) aprovar a criação de um partido que nasceu das assinaturas de eleitores já mortos e outros tantos que tiveram suas assinaturas falsificadas.
"Mas, se ergues da justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte."
Precisamos começar a honrar a letra desse hino!!!

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Até Quando?!

Todos os dias me pergunto: vou morrer tendo que lutar pelos meus direitos, sempre? Direitos básicos, que deveriam ser respeitados, mas que não são de forma alguma. Estou cansando desta batalha diária. Embora não queira deixar meu descrédito de herança para minha filha, começo a acreditar que as pessoas estão ultrapassando todos os limites do bom senso, da honra, dos valores morais.
Precisei entrar na justiça contra uma determinada empresa que é intermediária na contratação de planos de saúde. Preciso reclamar minha conta telefônica, o serviço que não foi prestado com eficiência, preciso reclamar, reclamar, brigar, brigar... até quando?! Hoje mais uma vez me senti usurpada do meu direito por uma cobrança indevida, que vem de pessoas, que em tese, possuem orientação jurídica. Sabem que praticam a ilegalidade, no entanto, a praticam como se nada estivesse acontecendo.
Quando Legião Urbana cantou "Que país é este?" não falou só como desabafo de menino rebelde. Falou de tudo que passamos, nosso cotidiano desrespeitado, nossa cidadania roubada. Como acreditar no país do futuro, da copa, do desenvolvimento, se as pessoas não procuram mudar esta história? Como pretender um governo sério, sem corrupção, cumpridor de seus deveres, se as pessoas que habitam este país são as primeiras a não cumpri-los?
Participei da marcha contra a corrupção no dia 7 de setembro. Fiquei orgulhosa de ser acompanhada por minha filha. Entretanto, todas as vezes que preciso me indispor com alguém, com alguma empresa, tentando mostrar que fiz tudo certo, que meu direito é meu e de mais ninguém, volto a me questionar se valeu tudo que ensinei e continuo ensinando a ela. Se naquele dia, as pessoas que ali pediam por um país sério se incluiam nos deveres de fazer um país sério. Se o sol, a sede, o cansanço resultaram na mudança interna daqueles que ali estavam e que  construirão um país de verdade, sem as exceções e os "jeitinhos" que expropriam nossa dignidade? Será que vou presenciar a educação de um neto ou sobrinho-neto lendo nos livros de história (nos livros talvez não, mas nos tablets, nets, laps...) que estas coisas aconteram e não mais acontecem? Em minhas lembranças estarei orgulhosa de mim e dos meus atos, consciente que tudo foi bem questionado e merecido. A sensação de vazio foi dissipada pelo tempo e que os cidadãos merecem o título pelo seu esforço e dignidade. Que não haverá corrupção nas primeiras páginas dos jornais, mas numa nota, bem escondida, como de fato deve ser devido a carga vergonhosa que tal notícia traz. Pois corromper e ser corrompido não deveria ser destaque na mídia. Que a mãe quando enviar seus filhos para a escola, terá a certeza que eles receberão uma educação de qualidade, sua merenda como deve ser e o professor com o orgulho de ser o iniciador de uma vida de prosperidade. Que doentes receberão por parte dos profissionais de saúde e do governo o tratamento devido, sem favor, sem caridade e sim com o respeito assegurado. Que nossos policiais serão vistos como aliados e não com medo. Que a fome será saciada com o suor do trabalho, e não com a misericórdia do particular ou do governante. E assim, ficaria aqui, listando inúmeros sonhos que gostaria de ver realizados. Sonhos palpáveis. Sonhos transformados em realidade. Hoje mesmo disse a uma pessoa que bastavam honrar os juramentos feitos nas Universidades quando formados que, provavelmente, o nosso país fosse melhor.
Espero, sinceramente, não desistir.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Explicações...

Estou afastada, e há um tempinho não escrevo nada. As circunstâncias quebraram meu rítmo. Há duas semanas não tenho sôssego. Todos os dias tenho que matar um leão!!! Sinceramente, espero continuar as postagens neste fim de semana...
É mesmo só para explicar meu sumiço. Estarei de volta. Em breve.

domingo, 14 de agosto de 2011

Presente...

Como deixar de registrar o explendor da lua desta noite?
Um presente da natureza, de Deus!
Ofereço este luar aos pais. Que a luz proporcionada por ele possa orientar nessa difícil missão de educar seus filhos.
Mesmo admirando todas as fases, todos os dias deveriam ser de lua cheia!!!

Haja repertório!!!!

Para quem mora em centros urbanos existem diferentes formas de se acordar. O trânsito é uma das mais comuns, pois além do barulho próprio dos carros, frenagens, buzinas, batidas, bombeiros, polícia, ambulâncias... nossa, são tantos!!! Temos ainda o movimento das pessoas, vozes, gritos... já perceberam que ouvimos, algumas vezes, ao longe, o barulho de fogos de artifício - sem nenhuma comemoração aparente?  E ainda os trabalhadores que exercem suas atividades nas ruas como os garis (sobre isto quero escrever depois, um texto particular), entre outros. Porém, acho que seja privilégio de poucos, temos os sons da natureza. Ela se manifesta de várias formas e dentre elas os seus habitantes mais graciosos e livres - os Pássaros! Hoje, domingo, acordei por volta das 6h da manhã com a algazarra deles. A movimentação era bem escandalosa para ser um domingo tão cedo. Não sei bem se eles comemoravam o dia dos pais, talvez, não sei se reclamavam a escassez dos alimentos devido o inverno ou se preparavam para o fim dele, pode ser ainda a secura de Brasília, que nos impõe um sacrifício extra em viver nesta linda cidade, com clima desértico. Provavelmente, reclamavam também do ar sujo e poluído que oferecemos a eles em troca da beleza que nos proporcionam... e, ainda, podiam reclamar a frequente movimentação dos pais saindo para encontrar o café da manhã...
todos podem ser motivos reais, mas o importante era mesmo ouvir tantos cantos, com entonações das notas que me pareceu lamento, felicidade, contentamento, fome e saudade. Nossa, como cantavam!!!
Acordei. Num primeiro momento, até fiquei meio chateada por estar acordando tão cedo, mas depois percebi que nem todos podem acordar com um coral tão especial e afinado. Presente divino, não sei... A única certeza que tenho é que sou privilegiada em ter como despertador "o canto de pássaros" naturalmente e não como uma gravação em qualquer eletrônico vendido por aí... sou obrigada a passar um domingo em paz e harmonia, pois assim o meu dia começou!!

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

"Envelhecimento com qualidade 2"

Voltando ao desabafo anterior... "Envelhecimento com qualidade" vários assuntos podem ser discutidos e observados, creio. Falando do tópico alimentação, nutrição. Realmente voltamos ao passado. Lembro-me de minha avó colhendo couve, maracujá, ervas diversas em sua horta particular. Os vizinhos compravam dela, pois era mais cômodo (não se discutia "saúde"). Lembro-me ainda, da minha mãe na feira, duas sacolas e um carregador menino (ainda não era exploração de menor- nem a sacola tentativa de proteger o meio ambiente - era a única possibilidade) escolhendo verduras, frutas, legumes, flores sem pressa, sem filas, provando e sem a menor preocupação com o envenenamento do que comprava. Lembro-me que quando tinha vontade de comer uma fruta qualquer não precisava de hora ou regra, ou mesmo, qual o tipo de fruta se A ou B... comia-se. E hoje??
Bem, a mídia, os nutricionistas, nutrólogos, ambientalistas e outros tantos "istas" nos aconselham... sempre com o argumento da velhice com qualidade, que devemos cuidar da nossa alimentação e, principalmente, da qualidade dela. Dia desses vi um "chef", famoso, dizendo que precisamos declarar nosso amor ao alimento no momento que o preparamos... "carne eu te amo" - já ouviram isto?? Sempre soube que cozinhar é um ato de amor. Ir para a cozinha com raiva, mágoa, doente (pelo menos penso e acredito nisto - e cozinho ) é péssimo. O que se faz não fica bom, é aquela história mesmo de energia. Creio que não seja necessário declarar amor ao alimento, embora devamos  respeitar o jeito dele, não é mesmo? Temos ainda as explicações dos nutricionistas e nutrólogos com a divisão das frutas, verduras, legumes em A e B. Não se come a fruta A em determinado horário, ou a fruta B. Pode comer uma grande quantia de tal legume e de outro muito pouco... (ciência, estudo, pesquisa - concordo? Será?) até bem pouco tempo comer vegetais era bom de qualquer maneira - claro, que havia alguns mitos, como comer manga com leite, etc). Temos ainda o problema do agrotóxico. Fiquei sabendo nesta semana que o mamão papaya é um dos alimentos que mais absorvem o tal do agrotóxico. Pimentão, tomate, morango também encabeçam a lista de alimentos envenenados. Certa vez, fazendo uma entrevista com um professor da Universidade Federal de Uberlândia para um programa da rádio em que trabalhava, ele me disse que a batata e a cenoura estavam super contaminadas. Legal agora é o "orgânico" - ou seja, a hortinha da vovó que seria o ideal. Inclusive já estão ensinando a plantar uma horta até mesmo em garrafas pet! Assim, protegemos a natureza e a nós mesmos não é? Também com o preço dos "orgânicos" não vejo outra possibilidade. Embora, uma outra vez, um nutricionista disse que é melhor comer vegetais com agrotóxico do que não comê-los. Fico perdida com tanta informação. Não sei se tenho medo ou se me cuido. Tem hora pra tudo, porção pra tudo, qualidade, quantidade, côr, tamanho, hora que foi plantado ou colhido, como é ou foi o armazenamento do alimento, quantas vezes foi e voltou, se congelou ou não - se descongelou ou não, o alimento é funcional ou não é... e por aí vai. Voltar ao passado parece ser mesmo a saída que encontramos para nos manter vivos. Quanto a envelhecer com qualidade... nem tanto, já que tantas preocupações e cuidados acabam nos estressando e nos deixando culpados por não cuidarmos bem de nós e de nossos filhos. Os nossos filhos já nos cobram um estilo de vida diferente e só não entendem que nossos salários continuam os mesmos. Neles não cabem tanta diferença, aliás, já disse anteriormente que estou começando na fase de escolha entre o plano de saúde e os remédios ou a alimentação adequada, o laser, a academia, os cursos, etc,etc.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Envelhecimento com qualidade... será???

Quando Aldous Huxley escreveu o livro "Admirável Mundo Novo" certamente não tinha tanta certeza do futuro e como as pessoas o receberiam. Algum tempo atrás (já tem um tempinho...) quando li, era apenas um livro de ficção e na minha inocência não acreditava ser possível tantas "maluquices". Na época, gostei mais do livro sobre um índio, um cara e suas experiências alucinógenas... maconha era um "papo cabeça" e encantava as pessoas desejosas em sair da mesmice. Pois bem, sempre que um fato novo, uma notícia científica era divulgada lembrava-me do Admirável Mundo Novo...
Aqui estou, depois de um bom tempo e o livro continua fazendo parte das minhas indagações e dúvidas quanto ao futuro. Tenho discutido muito com as pessoas amigas, com quem converso e coloco minhas questões. Todos (não é exagero, é verdade - todos) consideram-me maluca ou então depressiva e até outros adjetivos mais, pela única razão de defender a vida por um tempo determinado. Não comungo com as pessoas de que viver até os 100 ou 150 anos é uma boa. Não penso assim. Não vou me matar, não quero me matar e tenho tentado cuidar de mim dentro das minhas possibilidades. Porém, não vejo com bons olhos perpetuar-me . Sinto a ação do tempo. Por mais que deseje fazer determinadas coisas não consigo mais (isto me faz lembrar do meu ex. Diz ele que sua mãe, minha sogra, achava ruim a cabeça querer uma coisa e o corpo não conseguir executar) hoje, entendo e concordo veemente com a posição dela. A máquina humana, como todas as outras coisas no mundo, possui tempo de válidade. Ficar prolongando esse tempo, para mim, é prolongar expectativas que não acontecerão. Isto é errado? Não creio.
Neste domingo, na Tv Bandeirantes, assistindo ao Programa Livre ouvia dois médicos dissertando sobre envelhecer com qualidade e fiquei me perguntando em que país eles moravam. O primeiro então,  falava de substituições de partes do corpo com tanta simplicidade! Hoje, irei ao supermercado comprar um joelho, uma bacia, um coração...embora não tenha dito desta forma, claro.  Entendo tudo que disse. Entendo que a medicina avançou o suficiente para repor peças danificadas do nosso corpo. Entendo que existem tratamentos extraordinários, mas qual é a parcela da população brasileira, quiçá mundial, que poderá usufruir das beneces médicas atuais e futuras? Entendo a necessidade da boa alimentação, do exercício físico e principalmente da paz de espírito necessários ao envelhecimento de qualidade. Só não compreendo como estabelecer isto como prioridade na vida das pessoas "normais" que precisam trabalhar para comer arroz, feijão e farinha? Neste mundo ideal dos médicos e terapeutas um número ínfimo de pessoas podem adotar tais comportamentos. Infelizmente, gostaria muito de pensar de outra forma. Precisamos acordar e lembrar que uma grande parte da nossa população não tem nem mesmo saneamento básico. No país ainda se morre com dengue, desnutrição e tantas outras causas inadimissíveis para esta admirável medicina moderna. A fome no mundo é absurda e um absurdo.
Quando vejo, principalmente a mídia, colocando o mundo mágico e maravilhoso da medicina e seus avanços relaciono aos programas de transformação que várias tv's abertas insistem em colocar. Pegam uma dona de casa, que não pode nem mesmo fazer a unha todas as semanas, cortam (um senhor corte...) o cabelo e pintam como se pudesse frequentar o salão todos os dias como fazem as celebridades, levam-na a uma loja para comprar roupas que jamais poderá comprar novamente (não estou depreciando a capacidade de ninguém, pelo amor de Deus!), compram sapatos de saltos altíssimos para essa pobre dona de casa,sendo que  muitas das vezes nem asfalto na rua onde mora tem e... bem, por aí vai o desfile de transformações. Alguém voltou para ver como ficaram essas mulheres depois de quatro ou seis meses? Viram a realidade desta mulher? Gosto de ver também como a realidade definitivamente não faz parte do mundo ideal de alguns profissionais. E as reformas nas casas das pessoas??!!!! Já viram como ficam parecendo cenário de novelas??? Será que um desses arquitetos e decoradores se lembram de que naquela casa fritam bifes, cozinham normalmente, lavam e passam, crianças sobem e descem nas poltronas (quando tem - e nunca podem ser brancas - cor preferida deles, arquitetos e decoradores) ou seja, não comem nos restaurantes, não lavam suas roupas em lavanderias, não possuem salas de dois, três, quatro ambientes e quando recebem uma visita só tem um lugar para oferecer? O fundamento disto tudo tem um nome, sabemos. Contudo, não vou entrar nesse tema, pelo menos agora.
Minha preocupação está na propaganda da medicina e seus milagres. No desvio de foco que podem causar. Sei das necessidades das pesquisas, da informação. Particularmente, não acho nada agradável passar minha "velhice com qualidade" nas farmácias, nos consultórios e me privando de algumas coisas para conseguir pagar meu plano de saúde. Também sei que não usufruirei das articulações, dos transplantes e plásticas, pois, minha condição financeira não me permite. Assim sendo, como explicar para grande maioria que existe uma possibilidade mas que ela é pobre demais para merecê-la? ... bem vou ficar por aqui e volto no próximo para dar continuidade a estas interrogações... são muitas e preciso desabafar!!!