terça-feira, 20 de setembro de 2011

Até Quando?!

Todos os dias me pergunto: vou morrer tendo que lutar pelos meus direitos, sempre? Direitos básicos, que deveriam ser respeitados, mas que não são de forma alguma. Estou cansando desta batalha diária. Embora não queira deixar meu descrédito de herança para minha filha, começo a acreditar que as pessoas estão ultrapassando todos os limites do bom senso, da honra, dos valores morais.
Precisei entrar na justiça contra uma determinada empresa que é intermediária na contratação de planos de saúde. Preciso reclamar minha conta telefônica, o serviço que não foi prestado com eficiência, preciso reclamar, reclamar, brigar, brigar... até quando?! Hoje mais uma vez me senti usurpada do meu direito por uma cobrança indevida, que vem de pessoas, que em tese, possuem orientação jurídica. Sabem que praticam a ilegalidade, no entanto, a praticam como se nada estivesse acontecendo.
Quando Legião Urbana cantou "Que país é este?" não falou só como desabafo de menino rebelde. Falou de tudo que passamos, nosso cotidiano desrespeitado, nossa cidadania roubada. Como acreditar no país do futuro, da copa, do desenvolvimento, se as pessoas não procuram mudar esta história? Como pretender um governo sério, sem corrupção, cumpridor de seus deveres, se as pessoas que habitam este país são as primeiras a não cumpri-los?
Participei da marcha contra a corrupção no dia 7 de setembro. Fiquei orgulhosa de ser acompanhada por minha filha. Entretanto, todas as vezes que preciso me indispor com alguém, com alguma empresa, tentando mostrar que fiz tudo certo, que meu direito é meu e de mais ninguém, volto a me questionar se valeu tudo que ensinei e continuo ensinando a ela. Se naquele dia, as pessoas que ali pediam por um país sério se incluiam nos deveres de fazer um país sério. Se o sol, a sede, o cansanço resultaram na mudança interna daqueles que ali estavam e que  construirão um país de verdade, sem as exceções e os "jeitinhos" que expropriam nossa dignidade? Será que vou presenciar a educação de um neto ou sobrinho-neto lendo nos livros de história (nos livros talvez não, mas nos tablets, nets, laps...) que estas coisas aconteram e não mais acontecem? Em minhas lembranças estarei orgulhosa de mim e dos meus atos, consciente que tudo foi bem questionado e merecido. A sensação de vazio foi dissipada pelo tempo e que os cidadãos merecem o título pelo seu esforço e dignidade. Que não haverá corrupção nas primeiras páginas dos jornais, mas numa nota, bem escondida, como de fato deve ser devido a carga vergonhosa que tal notícia traz. Pois corromper e ser corrompido não deveria ser destaque na mídia. Que a mãe quando enviar seus filhos para a escola, terá a certeza que eles receberão uma educação de qualidade, sua merenda como deve ser e o professor com o orgulho de ser o iniciador de uma vida de prosperidade. Que doentes receberão por parte dos profissionais de saúde e do governo o tratamento devido, sem favor, sem caridade e sim com o respeito assegurado. Que nossos policiais serão vistos como aliados e não com medo. Que a fome será saciada com o suor do trabalho, e não com a misericórdia do particular ou do governante. E assim, ficaria aqui, listando inúmeros sonhos que gostaria de ver realizados. Sonhos palpáveis. Sonhos transformados em realidade. Hoje mesmo disse a uma pessoa que bastavam honrar os juramentos feitos nas Universidades quando formados que, provavelmente, o nosso país fosse melhor.
Espero, sinceramente, não desistir.

Nenhum comentário: